domingo, 19 de setembro de 2010

Recordações de outros tempos

Pois é, agora que estou de regresso às aulas (a experiência de trabalho não foi assim tão duradoura como isso), deu-me para redecorar o meu quarto, o que me obrigou a remexer em coisas antigas, há muito guardadas em caixinhas, mais ou menos literais, de recordações. Uma das coisas que descobri foi uma letra que uma pessoa muito querida escreveu para mim algures por volta de 2004.

Essa pessoa foi a Joana, a primeira pessoa que eu conheci quando fui estudar para a ESSA. Como fui obrigada a separar-me de quase todos os meus amigos do básico porque escolhi uma área diferente da deles, no ano em que comecei no 10º estava muito desanimada e odiava a nova escola. A Joaninha, que eu descrevi nessa altura como sendo "uma rapariga fantástica e uma querida", foi a minha salvação e animou os meus dias durante os 3 anos que lá passei.

Esta letra foi adaptada por ela para relatar a minha relação com o meu namorado da altura, que me chamava Belinha (que, para mim, é nome de bolacha, apesar de isto ser algo discutível). É suposto ser cantada com a música Comunhão de Bens, da Ágata (para quem não sabe, aquela do "Podes ficar com as jóias, o carro e casa, mas não fiques com ele!!!"). Coisa bonita para quem tinha 15 ou 16 anos. Cá vai...

Vais-te embora, leva as bolachas e as ceroulas daqui!
Vais-te embora, não digas mais, estrelitas pra ti
Mas não me levas a coisa mais linda
As oreo que um dia te comprei
Pois elas são a minha alegria
E o seu recheio para sempre lamberei

Podes ficar com o carro, o dono e as belinhas
Mas nunca com as oreo!
Tira-me tudo na vida e o mais que consigas
Mas não ficas com elas
Podes dizer que eu não presto
Mas dá-me as migalhas e o resto
E vai plantar couvitas
Sua belinha engomada, fofita e apaixonada
E para sempre belinha, e para sempre belinha.


Enfim, para vocês não tem assim tanta graça, eu sei. Mas cá no fundo tenho esperança que a Joaninha ainda não se tenha esquecido de mim e que saiba onde pode encontrar as minhas divagações. Espero sinceramente que um dia ela leia isto e saiba que guardei esta e outras coisas que ela me escreveu e que continuo a sorrir de cada vez que vejo certas expressões que eram tão dela e que quase só fazem sentido quando ditas por ela.
 
Agora que já relembrei estas cores um pouco debotadas da minha vida, vou preparar-me para o regresso à vida de estudante, da qual já tenho algumas saudades.

domingo, 30 de maio de 2010

E ao fim de 5 anos...

Hoje, mais exactamente por volta das 12:30 (penso não me estar a enganar muito), faz 5 anos que comecei a namorar com o André. Foi, como já sabem, uma coisa inesperada, mas que me/nos tem trazido muitas coisas boas e momentos muito felizes.

A quem lê este blog pode parecer que eu e o André só temos momentos lindos e apaixonados, nos quais trocamos palavras e gestos amorosos e carinhoso, como acontece nos filmes. É claro que isto não é verdade. Como qualquer casal que se conheça há tanto tempo (ou até há menos), temos as nossas divergências e as nossas discussões. Temos feitios um pouco diferentes que, por vezes, nos fazem discordar infinitamente um do outro. Cometemos erros e dizemos coisas que não sentimos; não somos perfeitos, tal como ninguém o é.

Durante muito tempo, cerca de 2 anos, talvez, fomos, de facto, um casal muito calminho, muito apaixonado e muito próximo. Nunca discutíamos e quem nos visse num café ou num jardim poderia pensar que tudo tinha começado nesse mesmo dia, tal era o “mel” que nos rodeava. Agora estamos mais maduros, a nossa relação já não é tão feita de sentimentos arrebatadores e incontidos, apesar de continuar a ser visível o quanto gostamos um do outro.

Contudo, uma das coisas que estes 5 anos me ensinaram foi a resolver todos estes problemas que vão, naturalmente, surgindo. Nós resolvemos as coisas falando, dizendo o que pensamos e o que sentimos. Isto faz, não só, com que o outro nos compreenda (ou, pelo menos, possa fazê-lo), mas também permite que o outro nos fique a conhecer um pouco melhor, o que irá ajudar a que, no futuro, evitemos cometer os mesmos erros.

Não somos o casal perfeito, longe disso. Mas aprendemos a viver com as nossas limitações. Esforçamo-nos para organizar a nossa vida, quando o pouco tempo que temos livre de trabalho e aulas tem de ser dividido entre nós e a família. Tentamos reinventar-nos, fazer coisas diferentes e surpreender o outro para que a relação não seja apenas mais uma rotina. Principalmente: aproveitamos o melhor possível o tempo que temos juntos.

Para provar que o que digo é verdade, aqui vão, em jeito de memória, alguns dos bons momentos que marcaram estes 5 anos:

- encontrões no meio das escadas que resolvem todo um conjunto de dilemas, trilemas e quadrilemas sobre “o que vai acontecer quando nos encontrarmos?”;

- coisas feitas às escondidas (no início, quando os papás ainda não sabiam de nada), o que chegou a implicar ficar a apanhar pó debaixo da cama, fechado num sótão ou até no meio da rua em pijama;

- surpresas em datas especiais, que incluem faixas pintadas em pátios de prédios, serenatas à janela, pessoas de t-shirt, caixas enormes cheias de prendas parvas e apresentações com fotos de infância;

- ir de férias com os amigos, dormir juntos pela primeira vez, passar noites inteiras a conversar e assistir a súbitos ataques de sonambulismo (“Não sei se consigo minha senhora, não sei se consigo”);

- ir de férias sozinhos e fazer “vidinha de casal”, cozinhar juntos e dividir tarefas domésticas;

- loucuras de vários tipos em jardins, ruas e outros locais públicos (inclui-se aqui: transporte de caixões e sustos a condutores desprevenidos, bem como qualquer outra coisa que se queiram lembrar);

- viagens prometidas ao Porto e a França que nunca chegaram a acontecer (porque é que isto é bom? O carro podia ter avariado, o avião podia ter caído e podíamos ter sido assaltados e/ou raptados. O mundo é um lugar perigoso, o que é que vocês pensam?);

- dizer que não ia a uma festa e depois aparecer, às escondidas, e dizer “Surpresa”;

- festas cheias de VIP’s em que se acaba pintado dos pés à cabeça, ou molhado, como numa certa festa da espuma;

- jantares e almoços em locais românticos (como o McDonald’s…);

- manhãs, tardes e noites maravilhosas, cheias de miminhos, beijinhos e muitas outras coisas boas (como ataques de cócegas…. Cutchi, cutchi, cutchi!).

Enfim, depois de toda esta racionalização de 5 anos de vida em (semi)conjunto (dissertação esta que, muito provavelmente, não interessa a ninguém) e de muitos momentos deixados para trás, por serem demasiado invasivos da privacidade alheia, todas estas linhas podem, de forma muito simples, resumir-se numa única palavra: AMO-TE.

Só desejo que estas cores, tão cheias de boas vibrações e bons sentimentos, durem mais uns anos na nossa vida.

SURPRESA!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O meu blog

Eu gostava, mas gostava mesmo muito, que o meu blog não fosse a coisa fútil e pateta que é. Não era bem esta a minha ideia quando o criei e sempre pensei que iria conseguir transformá-lo em algo mais interessante. Por exemplo, um local para discutir temas da actualidade e mostrar o meu vasto conhecimento (cof, cof, cof… ai que me ia engasgando…) acerca do que se passa à minha volta. Sempre achei que este podia ser um sítio divertido, cheio de novidades e coisas giras, que as pessoas recomendassem umas às outras….
Pois bem, a realidade não é assim. E isso deixa-me triste! É como se tivesse criado um filho para ser um falhado.
Mas depois ponho-me a pensar: como é que uma pessoa que passa 9 ou 10 horas (no mínimo) enfiada num escritório, rodeada das mesmas pessoas todos os dias consegue ter uma vida emocionante para partilhar com os outros? Ou como é que se consegue ler as notícias e fazer comentários sobre elas quando se tem de trabalhar (ou, pelo menos, fingir)? “Ah, e tal, podes fazer isso quando chegas a casa. Vês as notícias e escreves, ou vais passear e fazer coisas interessantes e escreves.” Pois meus amigos, o meu problema é que quando eu saio do trabalho só me apetece dormir ou ficar que nem um vegetal em frente à TV. Às vezes lá concedo algum tempo a um passeio pelas lojas e/ou supermercados (uma pessoa tem de comer, não é?), a arrumar o quarto ou até, espantem-se, a cozinhar. Mas isso são raras excepções e ninguém está interessado em ler sobre isso.
Agora a sério, sinto-me um pouco frustrada com isto. Sinto-me a ficar velha com apenas 22 anos. Ainda há uns dias estive na conversa com a Natércia e praticamente só falámos de trabalho. Para ficarmos ainda mais parecidas com 2 velhotas amarguradas só faltou mesmo despejarmos a lista de doenças e maleitas, com reumatismos e cataratas pelo meio.


Devia fazer um esforço para animar este blog, mas estou meio sem ideias. A verdade é que a minha vida é colorida por pouco mais do que trabalho. Por falar nisso, tenho de ir trabalhar (como diz a minha “piruças” mais linda) “ôta vez”.

domingo, 16 de maio de 2010

Estou a ficar cansada


P.S.: Se também quiserem um destes, passem por aqui e encham a vossa vida de cor.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Adorei isto...

A tristeza de não ser mais do que aquilo que deixei de ser. De não fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que não realizei, os passos que não dei. Sou a vida, sim, que não vivi. E é assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre temporária mas sempre triste, de que não sou. De que não consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, são leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esforço, carrega para o destino final. Escrevo porque só sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se vá, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se vá, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que não sou: o que não fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. (…) Fui quase feliz, quase gente – o triste demente, quase. Sou quase, sou meio. Porque sou, mais do que o que sou, o que não sou. Porque sou, mais do que o que sou, o que não fui capaz de ser: o que não sou capaz de ser.

by, Pedro Chagas Freitas em http://pedrochagasfreitas.blogspot.com/

terça-feira, 2 de março de 2010

Coisas boas e tempo a mais

Uma vez que já me criticaram pelo facto do conteúdo do meu blog estar muito “down” e “depré”, decidi aproveitar o tempo que tenho para escrever sobre um assunto mais alegre: os meus bichinhos, o Tobias e o Bento. Só para vos mostrar que não sou uma pessoa assim tão negativa e amargurada, porque tenho coisas boas na minha vida que compensam as menos boas.

O meu lindo e (às vezes) simpático gato continua como sempre foi. Talvez só um pouco mais independente e teimoso, se é que isso é possível. De manhã ignora o meu pai quando ele sai, exigindo apenas umas festinhas no pescoço, porque sabe que não é ele quem lhe vai dar comida e soltar para poder brincar. Se a minha mãe dorme até mais tarde, desata a miar, para chamar a atenção, até que ela se levante e o solte. Caso seja fim-de-semana e/ou eu esteja em casa, é certinho que a primeira coisa que aquele gato faz é correr para a porta do meu quarto, saltar contra ela para a abrir e depois saltar para cima de mim, na cama, onde garante que eu acordei (porque lhe fiz uma festa ou o mandei embora). Depois disso ignora-me completamente, vira-me as costas e vai à vida dele. Depois o Tobias também continua com as suas maluqueiras durante o dia: tem alturas em que dorme ferradinho em qualquer sítio fofo e quente, normalmente a minha cama, o meu puff ou o sofá, de preferência com um cobertor em cima; tem também alturas em que só quer brincadeira e corre pela casa, enrola os tapetes todos por onde passa, salta para todas as coisas que tenham pontas penduradas, trepa para cima dos móveis mais altos e esconde-se em qualquer buraco até que alguém apareça à procura dele (convém referir que, para o Bias, “esconder” significa enfiar a cabeça num buraco ou atrás de qualquer coisa, mesmo que o resto do corpo esteja totalmente de fora. Ele dá o verdadeiro significado à expressão “gato escondido com o rabo de fora”).

Já o Bento é menos elitista (também não tem as mesmas possibilidades que o seu mano emprestado), mas nem por isso menos doidinho. Apesar de ser muito tímido ao início e quase ter medo de pessoas, rapidamente se habituou a nós e agora é absolutamente imparável. Como tem imenso espaço no quintal para correr e fazer asneiras, ele aproveita. Rói tudo o que apanha e não apanha, incluindo vasos de flores e as flores em si, tapetes (já destruiu o da entrada), ferramentas, facas de cozinha, sapatos e chinelos (não os roubou, eram velhos e a minha mãe deu-lhos), caixas de plástico, bocados de lenha, luvas, etc. Uma vez escavou o canteiro onde temos couves plantadas e arrancou uma, tendo-se divertido a destruí-la calmamente na relva. Sim, porque o Bento não gosta de esconder as asneiras que faz: tudo o que apanha ele leva para a relva, excepto um ou outro boneco que enterrou no canteiro das flores (devia ser uma espécie de compensação com a couve, não sei…). Ele é um cão muito fofinho, mas muito mal mandado, que nunca vem ter connosco quando o chamamos e que só faz o que lhe apetece, quando lhe apetece. Tem a mania de se agarrar às nossas pernas para as morder, gosta de enfiar o focinho no nosso rabo e de tentar morder “outras partes”, se vê alguém ajoelhado no chão fica louco e salta para cima da pessoa enquanto lhe morde os braços e não pode ir ao pé da lenha, porque deve haver lá algum cheiro que o deixa completamente alienado e irrequieto. É também muito comilão e guloso, principalmente depois da minha mãe o ter habituado a comer pão quentinho, acabado de vir da padaria, e rebuçados “Bola de Neve”.

Como seria de esperar, a relação entre estes dois bichos cheios de personalidade não podia ser pacífica. O Tobias sempre odiou cães e assim que se apercebeu que aquele estava lá em casa para ficar, passou 1 semana quase sem ir à rua, só para não ter de se cruzar com ele. Já o Bento adorou a ideia de ter um “brinquedo” que se mexe sozinho e sempre que vê o gato desata a correr atrás dele. É claro que o gato não reage da melhor forma, mesmo depois de passados 2 meses, e quando o cão se aproxima mais do que o devido assanha-se todo e tenta arranhar-lhe o focinho. Porém, eu acho que eles se adoram, porque andam sempre um atrás do outro, ainda que mantenham a distância de segurança. Tenho a certeza que daqui a uns tempos vou dar com os dois a dormir juntos ou algo assim. Por enquanto tenho de me contentar em ver o Tobias a subir para cima dos carros quando o Bento chega ou a esconder-se debaixo de qualquer coisa, enquanto o Bento fica doido e tenta imitá-lo (resta dizer que ele não é ágil o suficiente para saltar para cima de algo, e ainda bem, e é grande demais para caber nos sítios onde o gato se enfia, o que o deixa bastante chateado).

Como podem ver, as cores da minha vida têm estas duas pestes para as completar. E, garanto-vos, não é só a mim que eles dão cabo do juízo… né mor? =)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Esperanças falhadas

Esperava que, 6 meses depois de começar a trabalhar, o sentimento geral não fosse tão negativo. Depois de todo este tempo, eu esperava já me sentir mais útil ou, pelo menos, já saber como lidar com este sentimento de inutilidade. Ou então, o que também ajudava bastante, era já ter compreendido esta “ética subjacente” a tudo o que se faz nesta empresa. No entanto, o que me continua a acontecer é passar mais tempo sem nada para fazer do que a trabalhar, ao fim de 2 dias sem uma única tarefa ficar terrivelmente aborrecida e com vontade de sair disparada porta fora, enquanto todas as pessoas parecem olhar para mim com ar de gozo, tipo “Esta parva ainda não percebeu que não é assim que se deve comportar aqui dentro?”

Como tenho passado algum tempo a tentar organizar a minha caixa de e-mail, tenho visto muitos e-mails trocados durante a faculdade, acerca de trabalhos de grupo, pequenas alterações em slides, jantares, etc. Às vezes arrependo-me tanto da decisão que tomei para a minha vida… Quem é que me disse que com 21 anos eu sabia o que queria? Farto-me de pensar como seria a minha vida se estivesse a fazer o meu mestrado: teria certamente mais trabalho e menos dinheiro, mas teria também amizades mais verdadeiras e uma liberdade completamente diferente. Se ao menos as coisas aqui fossem ligeiramente diferentes, mais justas para quem é novo e com pessoas mais… pessoas.

Vocês que lêem o meu blog (se é que há alguém que tenha paciência para o fazer) devem achar que eu me tornei esquizofrénica: tanto tenho momentos de felicidade absoluta como fico completamente em baixo e incapaz de reagir. É assim que me sinto, não posso fazer nada. E só escrever me alivia um pouco mais.

São estas, meus amigos, (pelos vistos) as cores do mundo do trabalho.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Escrever é soltar a alma

Gosto muito de escrever. Mas de escrever no papel, com caneta e lápis, à moda antiga. Gosto de ver as palavras a aparecer com a minha letra estranha e nem sempre muito definida e legível.

Quando vejo folhas brancas só me dá vontade de as encher de frases, de coisas, às vezes nem sei bem de quê. Gosto tanto de escrever que tomo notas desnecessárias, sobre coisas que não me interessam ou que nunca mais vou usar. Até a maioria das coisas que aparecem aqui foram primeiro escritas num papel, provavelmente a parte de trás de uma folha já usada (eu sou muito poupadinha e todo o papel é precioso e vai parar à minha gaveta para ser usado mais tarde). É esse o caso deste post, que primeiro foi rascunhado à mão, a deixar fluir os pensamentos.

Só tenho pena de não ter mais jeito e mais imaginação para escrever coisas a sério. Quando era mais nova comecei 2 ou 3 “livros” que esperava um dia conseguir editar como os escritores verdadeiros, mas fiquei sempre pela vontade e pela esperança. A qualidade não era muita e os pretendentes a livros nunca foram terminados…

Acho que até podia pegar nisso agora, tentar acabar pelo menos um deles e tentar a minha sorte no mundo da literatura juvenil. O problema é que já não tenho a forma de pensar de uma adolescente, que foi o que me permitiu começar a escrever um diário (fictício, claro) de uma jovem de, se não me engano, 16 anos, com uma família fora do comum e os problemas típicos da idade: discussões com os pais, namorados, sexo e drogas. Este é um daqueles casos em que a experiência de vida é negativa, pois tira-nos a inocência que tínhamos antes e altera a nossa percepção do mundo. De qualquer forma, há tanto tempo que não olho para o texto que já nem sei em que ponto deixei a história.

Uma outra maluquice que me deu para fazer foi começar a reescrever as histórias infantis que todos conhecemos (Branca de Neve, Capuchinho Vermelho, Cinderela, etc) de uma forma mais actual e divertida. Por exemplo, a nossa querida Cinderela deixava de ir para o baile numa abóbora transformada em carruagem e passava a fazer a viagem num fantástico Ferrari. Este meu “projecto” eu até era capaz de continuar, mas não acredito que alguém aceitasse editá-lo…

Enfim, acho que vou ter de deixar o meu gosto pela escrita continuar a transparecer apenas neste meu espaço. Se, por acaso, alguém tiver curiosidade em ler algum dos meus (inacabados) trabalhos, é só dizer. Eu, entretanto, vou continuar a colorir a minha vida com as palavras de outros.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Momentos de (não) inspiração



Não sei o que eu quero da vida
Não sei o que eu quero de mim
Não sei o que eu quero de tudo
Só sei que tudo vai ter um fim
Vai sim
Cássia Eller - Não Sei O Que Eu Quero Da Vida

Não conheço a música nem a cantora, mas identifiquei-me imenso com esta parte da letra. É um pouco assim que me sinto neste momento... Não quero nada, apenas que me deixem continuar aqui, sossegada, no meu canto de solidão e independência fingida, no qual não dependo de nada nem de ninguém.

Não tenho sentimentos, nem bons nem maus, por nada nem por ninguém. Estou vazia e sinto-me confortável assim. Apesar de não ser o melhor estado de espírito, é o melhor que tive nos últimos tempos. Só tenho pena de, mais tarde ou mais cedo, ser arrancada a esta minha "bolha", de volta à realidade, onde me obrigam a interagir com pessoas que esperam mais de mim do que eu tenho vontade de lhes dar...

Um dia vou aprender a cantar... pode ser que as cores da mnh vida mudem com isso.