A tristeza de não ser mais do que aquilo que deixei de ser. De não fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que não realizei, os passos que não dei. Sou a vida, sim, que não vivi. E é assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre temporária mas sempre triste, de que não sou. De que não consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, são leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esforço, carrega para o destino final. Escrevo porque só sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se vá, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se vá, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que não sou: o que não fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. (…) Fui quase feliz, quase gente – o triste demente, quase. Sou quase, sou meio. Porque sou, mais do que o que sou, o que não sou. Porque sou, mais do que o que sou, o que não fui capaz de ser: o que não sou capaz de ser.
by, Pedro Chagas Freitas em http://pedrochagasfreitas.blogspot.com/
segunda-feira, 8 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Coisas boas e tempo a mais
Uma vez que já me criticaram pelo facto do conteúdo do meu blog estar muito “down” e “depré”, decidi aproveitar o tempo que tenho para escrever sobre um assunto mais alegre: os meus bichinhos, o Tobias e o Bento. Só para vos mostrar que não sou uma pessoa assim tão negativa e amargurada, porque tenho coisas boas na minha vida que compensam as menos boas.
O meu lindo e (às vezes) simpático gato continua como sempre foi. Talvez só um pouco mais independente e teimoso, se é que isso é possível. De manhã ignora o meu pai quando ele sai, exigindo apenas umas festinhas no pescoço, porque sabe que não é ele quem lhe vai dar comida e soltar para poder brincar. Se a minha mãe dorme até mais tarde, desata a miar, para chamar a atenção, até que ela se levante e o solte. Caso seja fim-de-semana e/ou eu esteja em casa, é certinho que a primeira coisa que aquele gato faz é correr para a porta do meu quarto, saltar contra ela para a abrir e depois saltar para cima de mim, na cama, onde garante que eu acordei (porque lhe fiz uma festa ou o mandei embora). Depois disso ignora-me completamente, vira-me as costas e vai à vida dele. Depois o Tobias também continua com as suas maluqueiras durante o dia: tem alturas em que dorme ferradinho em qualquer sítio fofo e quente, normalmente a minha cama, o meu puff ou o sofá, de preferência com um cobertor em cima; tem também alturas em que só quer brincadeira e corre pela casa, enrola os tapetes todos por onde passa, salta para todas as coisas que tenham pontas penduradas, trepa para cima dos móveis mais altos e esconde-se em qualquer buraco até que alguém apareça à procura dele (convém referir que, para o Bias, “esconder” significa enfiar a cabeça num buraco ou atrás de qualquer coisa, mesmo que o resto do corpo esteja totalmente de fora. Ele dá o verdadeiro significado à expressão “gato escondido com o rabo de fora”).
Já o Bento é menos elitista (também não tem as mesmas possibilidades que o seu mano emprestado), mas nem por isso menos doidinho. Apesar de ser muito tímido ao início e quase ter medo de pessoas, rapidamente se habituou a nós e agora é absolutamente imparável. Como tem imenso espaço no quintal para correr e fazer asneiras, ele aproveita. Rói tudo o que apanha e não apanha, incluindo vasos de flores e as flores em si, tapetes (já destruiu o da entrada), ferramentas, facas de cozinha, sapatos e chinelos (não os roubou, eram velhos e a minha mãe deu-lhos), caixas de plástico, bocados de lenha, luvas, etc. Uma vez escavou o canteiro onde temos couves plantadas e arrancou uma, tendo-se divertido a destruí-la calmamente na relva. Sim, porque o Bento não gosta de esconder as asneiras que faz: tudo o que apanha ele leva para a relva, excepto um ou outro boneco que enterrou no canteiro das flores (devia ser uma espécie de compensação com a couve, não sei…). Ele é um cão muito fofinho, mas muito mal mandado, que nunca vem ter connosco quando o chamamos e que só faz o que lhe apetece, quando lhe apetece. Tem a mania de se agarrar às nossas pernas para as morder, gosta de enfiar o focinho no nosso rabo e de tentar morder “outras partes”, se vê alguém ajoelhado no chão fica louco e salta para cima da pessoa enquanto lhe morde os braços e não pode ir ao pé da lenha, porque deve haver lá algum cheiro que o deixa completamente alienado e irrequieto. É também muito comilão e guloso, principalmente depois da minha mãe o ter habituado a comer pão quentinho, acabado de vir da padaria, e rebuçados “Bola de Neve”.
Como seria de esperar, a relação entre estes dois bichos cheios de personalidade não podia ser pacífica. O Tobias sempre odiou cães e assim que se apercebeu que aquele estava lá em casa para ficar, passou 1 semana quase sem ir à rua, só para não ter de se cruzar com ele. Já o Bento adorou a ideia de ter um “brinquedo” que se mexe sozinho e sempre que vê o gato desata a correr atrás dele. É claro que o gato não reage da melhor forma, mesmo depois de passados 2 meses, e quando o cão se aproxima mais do que o devido assanha-se todo e tenta arranhar-lhe o focinho. Porém, eu acho que eles se adoram, porque andam sempre um atrás do outro, ainda que mantenham a distância de segurança. Tenho a certeza que daqui a uns tempos vou dar com os dois a dormir juntos ou algo assim. Por enquanto tenho de me contentar em ver o Tobias a subir para cima dos carros quando o Bento chega ou a esconder-se debaixo de qualquer coisa, enquanto o Bento fica doido e tenta imitá-lo (resta dizer que ele não é ágil o suficiente para saltar para cima de algo, e ainda bem, e é grande demais para caber nos sítios onde o gato se enfia, o que o deixa bastante chateado).
Como podem ver, as cores da minha vida têm estas duas pestes para as completar. E, garanto-vos, não é só a mim que eles dão cabo do juízo… né mor? =)
O meu lindo e (às vezes) simpático gato continua como sempre foi. Talvez só um pouco mais independente e teimoso, se é que isso é possível. De manhã ignora o meu pai quando ele sai, exigindo apenas umas festinhas no pescoço, porque sabe que não é ele quem lhe vai dar comida e soltar para poder brincar. Se a minha mãe dorme até mais tarde, desata a miar, para chamar a atenção, até que ela se levante e o solte. Caso seja fim-de-semana e/ou eu esteja em casa, é certinho que a primeira coisa que aquele gato faz é correr para a porta do meu quarto, saltar contra ela para a abrir e depois saltar para cima de mim, na cama, onde garante que eu acordei (porque lhe fiz uma festa ou o mandei embora). Depois disso ignora-me completamente, vira-me as costas e vai à vida dele. Depois o Tobias também continua com as suas maluqueiras durante o dia: tem alturas em que dorme ferradinho em qualquer sítio fofo e quente, normalmente a minha cama, o meu puff ou o sofá, de preferência com um cobertor em cima; tem também alturas em que só quer brincadeira e corre pela casa, enrola os tapetes todos por onde passa, salta para todas as coisas que tenham pontas penduradas, trepa para cima dos móveis mais altos e esconde-se em qualquer buraco até que alguém apareça à procura dele (convém referir que, para o Bias, “esconder” significa enfiar a cabeça num buraco ou atrás de qualquer coisa, mesmo que o resto do corpo esteja totalmente de fora. Ele dá o verdadeiro significado à expressão “gato escondido com o rabo de fora”).
Já o Bento é menos elitista (também não tem as mesmas possibilidades que o seu mano emprestado), mas nem por isso menos doidinho. Apesar de ser muito tímido ao início e quase ter medo de pessoas, rapidamente se habituou a nós e agora é absolutamente imparável. Como tem imenso espaço no quintal para correr e fazer asneiras, ele aproveita. Rói tudo o que apanha e não apanha, incluindo vasos de flores e as flores em si, tapetes (já destruiu o da entrada), ferramentas, facas de cozinha, sapatos e chinelos (não os roubou, eram velhos e a minha mãe deu-lhos), caixas de plástico, bocados de lenha, luvas, etc. Uma vez escavou o canteiro onde temos couves plantadas e arrancou uma, tendo-se divertido a destruí-la calmamente na relva. Sim, porque o Bento não gosta de esconder as asneiras que faz: tudo o que apanha ele leva para a relva, excepto um ou outro boneco que enterrou no canteiro das flores (devia ser uma espécie de compensação com a couve, não sei…). Ele é um cão muito fofinho, mas muito mal mandado, que nunca vem ter connosco quando o chamamos e que só faz o que lhe apetece, quando lhe apetece. Tem a mania de se agarrar às nossas pernas para as morder, gosta de enfiar o focinho no nosso rabo e de tentar morder “outras partes”, se vê alguém ajoelhado no chão fica louco e salta para cima da pessoa enquanto lhe morde os braços e não pode ir ao pé da lenha, porque deve haver lá algum cheiro que o deixa completamente alienado e irrequieto. É também muito comilão e guloso, principalmente depois da minha mãe o ter habituado a comer pão quentinho, acabado de vir da padaria, e rebuçados “Bola de Neve”.
Como seria de esperar, a relação entre estes dois bichos cheios de personalidade não podia ser pacífica. O Tobias sempre odiou cães e assim que se apercebeu que aquele estava lá em casa para ficar, passou 1 semana quase sem ir à rua, só para não ter de se cruzar com ele. Já o Bento adorou a ideia de ter um “brinquedo” que se mexe sozinho e sempre que vê o gato desata a correr atrás dele. É claro que o gato não reage da melhor forma, mesmo depois de passados 2 meses, e quando o cão se aproxima mais do que o devido assanha-se todo e tenta arranhar-lhe o focinho. Porém, eu acho que eles se adoram, porque andam sempre um atrás do outro, ainda que mantenham a distância de segurança. Tenho a certeza que daqui a uns tempos vou dar com os dois a dormir juntos ou algo assim. Por enquanto tenho de me contentar em ver o Tobias a subir para cima dos carros quando o Bento chega ou a esconder-se debaixo de qualquer coisa, enquanto o Bento fica doido e tenta imitá-lo (resta dizer que ele não é ágil o suficiente para saltar para cima de algo, e ainda bem, e é grande demais para caber nos sítios onde o gato se enfia, o que o deixa bastante chateado).
Como podem ver, as cores da minha vida têm estas duas pestes para as completar. E, garanto-vos, não é só a mim que eles dão cabo do juízo… né mor? =)
segunda-feira, 1 de março de 2010
Esperanças falhadas
Esperava que, 6 meses depois de começar a trabalhar, o sentimento geral não fosse tão negativo. Depois de todo este tempo, eu esperava já me sentir mais útil ou, pelo menos, já saber como lidar com este sentimento de inutilidade. Ou então, o que também ajudava bastante, era já ter compreendido esta “ética subjacente” a tudo o que se faz nesta empresa. No entanto, o que me continua a acontecer é passar mais tempo sem nada para fazer do que a trabalhar, ao fim de 2 dias sem uma única tarefa ficar terrivelmente aborrecida e com vontade de sair disparada porta fora, enquanto todas as pessoas parecem olhar para mim com ar de gozo, tipo “Esta parva ainda não percebeu que não é assim que se deve comportar aqui dentro?”
Como tenho passado algum tempo a tentar organizar a minha caixa de e-mail, tenho visto muitos e-mails trocados durante a faculdade, acerca de trabalhos de grupo, pequenas alterações em slides, jantares, etc. Às vezes arrependo-me tanto da decisão que tomei para a minha vida… Quem é que me disse que com 21 anos eu sabia o que queria? Farto-me de pensar como seria a minha vida se estivesse a fazer o meu mestrado: teria certamente mais trabalho e menos dinheiro, mas teria também amizades mais verdadeiras e uma liberdade completamente diferente. Se ao menos as coisas aqui fossem ligeiramente diferentes, mais justas para quem é novo e com pessoas mais… pessoas.
Vocês que lêem o meu blog (se é que há alguém que tenha paciência para o fazer) devem achar que eu me tornei esquizofrénica: tanto tenho momentos de felicidade absoluta como fico completamente em baixo e incapaz de reagir. É assim que me sinto, não posso fazer nada. E só escrever me alivia um pouco mais.
São estas, meus amigos, (pelos vistos) as cores do mundo do trabalho.
Como tenho passado algum tempo a tentar organizar a minha caixa de e-mail, tenho visto muitos e-mails trocados durante a faculdade, acerca de trabalhos de grupo, pequenas alterações em slides, jantares, etc. Às vezes arrependo-me tanto da decisão que tomei para a minha vida… Quem é que me disse que com 21 anos eu sabia o que queria? Farto-me de pensar como seria a minha vida se estivesse a fazer o meu mestrado: teria certamente mais trabalho e menos dinheiro, mas teria também amizades mais verdadeiras e uma liberdade completamente diferente. Se ao menos as coisas aqui fossem ligeiramente diferentes, mais justas para quem é novo e com pessoas mais… pessoas.
Vocês que lêem o meu blog (se é que há alguém que tenha paciência para o fazer) devem achar que eu me tornei esquizofrénica: tanto tenho momentos de felicidade absoluta como fico completamente em baixo e incapaz de reagir. É assim que me sinto, não posso fazer nada. E só escrever me alivia um pouco mais.
São estas, meus amigos, (pelos vistos) as cores do mundo do trabalho.
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