terça-feira, 20 de outubro de 2009

Era uma vez...

Eles estudavam na mesma escola, embora em anos diferentes. Tinham almoçado juntos uma vez na cantina, por influência de amigos comuns, mas nunca tinham trocado qualquer palavra, nem tinham qualquer tipo de relação. Eles simplesmente não se conheciam.

Ela fazia parte do grupo de teatro da escola; ele fazia parte do grupo de danças e do grupo de cantares. Eles tinham muitos amigos e colegas em comum.

Entretanto, em Maio, um grupo de alunos ganhou a possibilidade de ir ao estrangeiro, por causa do parlamento Europeu de Jovens, só que a viagem era muito cara e a escola decidiu ajudar, fazendo uns espectáculos para o público em geral. Para isso, convidou os vários grupos da escola para actuar.

O primeiro desses espectáculos foi em Mação. Os alunos partiram de autocarro ao meio da tarde, para terem tempo de montar os cenários, o som e as luzes. Eles iam no mesmo autocarro, mas ela ia entretida com um amigo, que lhe contava os seus últimos avanços amorosos.

Já na sala de espectáculos, foi chegando a hora de mudar de roupa. Em apenas alguns instantes surgiram no camarim príncipes, princesas, rainhas e aias, de vestidos longos e coloridos e flores no cabelo. Do camarim ao lado saíam dançarinos de calças pretas e camisas brancas e dançarinas de saias coloridas. Ouviam-se instrumentos musicais a ser afinados e deixas a ser treinadas. Os nervos começavam a apertar e qualquer recanto isolado era bom para respirar fundo e pensar que ia correr tudo bem. Estes momentos eram também bons para alguém reparar que havia gente diferente por ali.

O espectáculo começou. Algum tempo depois a aia entrou, falou, dançou e saiu. Ele era uma aia com gritinhos histéricos, mas muito esperta, que fazia olhinhos ao príncipe e fazia ciúmes à sua princesa. No entanto, era também uma aia que desconhecia o que lhe reservava o futuro.


Mais uma vez, poucos minutos bastaram para que a aia desaparecesse e ela se sentasse junto do público a assistir ao resto do espectáculo. Ela ouviu músicas, viu danças variadas, ouviu piadas e conversou com os colegas. Ele, por sua vez, depois de ter actuado, foi beber umas minis com os amigos.

No final, enquanto esperavam que tudo estivesse arrumado, os alunos aproveitaram para apanhar um pouco de ar e comentar a noite. Ela, animada, no meio de uma conversa pediu a um colega: “Dá-me miminhos!”, mas o colega recusou. Então ele, que tinha ouvido o pedido, respondeu: “Então tu não dás miminhos a uma rapariga que te pede?”. Ela aproveitou e pediu-lhe miminhos a ele; ele não se fez rogado e abraçou-a. Foi assim que se tocaram pela primeira vez…

O autocarro chegou para os levar de volta para casa. Ela sentou-se no mesmo lugar onde tinha viajado algumas horas antes, mas o lugar ao seu lado, desta vez, ficou vazio. É claro que, tal como nas histórias de encantar (convém não esquecer que ela era uma aia, ainda que apenas em cima do palco, logo a magia das histórias podia perfeitamente ter-se estendido a ela), foi ele que se sentou ao seu lado. Finalmente conheceram-se, trocaram nomes e cumprimentaram-se com um aperto de mão.

Ela estava bem-disposta e ele estava desinibido. Voltaram a trocar abraços, conversaram e, tal como nas mais belas histórias, um belo e doce beijo acabou por acontecer. Trocaram números de telemóvel (as novas tecnologias assim o exigiam) e, ao chegar, separaram-se.

Isto aconteceu numa sexta-feira. O fim-de-semana que se seguiu foi bastante animado. Eles trocaram SMS carinhosas, tentaram conhecer-se melhor. Tinham passado juntos menos de 1 hora, mas já se sentiam muito próximos. Acabaram por decidir seguir o coração e ver como iriam correr as coisas.

Na segunda-feira já corriam boatos na escola sobre a aventura deles, que afinal não era segredo para ninguém. Quando finalmente eles se reencontraram puderam soltar a paixão que tinha nascido naqueles 2 dias. Conversaram durante horas, tentando recuperar os anos que nunca tinham passado juntos. Nesse mesmo dia ele tentou a sua sorte e fez o tão esperado pedido. Ela hesitou, mas acabou por aceitar.

E foi assim que começou uma linda história de amor. Uma história que chocou (e continua a chocar) muitos pela rapidez com que aconteceu e que levou outros a duvidar da sua continuação. É uma relação que dura há 1603 dias (mais hora, menos hora) e que, se depender deles, vai continuar por muito mais tempo.

E para quem não acredita em amor à primeira vista, pergunto eu, o que chamam a isto? São cores como estas que devem colorir a nossa vida.

PS: Vejam o outro lado da história aqui.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ai esta vida de trabalhadora

OK, OK, eu sei! Comecei a trabalhar e deixei de ter tempo para escrever. Imagino as pessoas que ficaram ansiosas à espera do resto das minhas aventuras da rotação (ou então não…).

De forma muito resumida, as coisas não foram muito diferentes desta primeira semana. Passámos por muitos sítios, conhecemos muita gente e tivemos trabalhos mais ou menos interessantes. A única coisa que se manteve constante foram os nossos e-mails, enviados a cada 5 segundos como se estivéssemos no MSN, a relatar cada detalhe da nossa vida e, principalmente, da dos outros. Eu tenho a certeza que quem se aproximasse da nossa caixa de entrada do Outlook ia ter um ataque de caspa fortíssimo, tal era a confusão que ali ia… No entanto foi isso que nos valeu para passarmos uns bons momentos.

No dia 23 lá fomos nós para um hotel para o pé do Corte Inglés para ter formação sobre impostos (que divertido!!!). Mal sabíamos o que nos esperava: um mega caso prático cheio de problemas fiscais para resolvermos e apresentarmos no final. Resta dizer que a semana passada foi terrivelmente cansativa, porque tínhamos formação das 9 às 18 e depois passávamos o resto da tarde/noite a trabalhar no caso. Foram noites muito mal dormidas e um grande stress. Mais uma vez, valeu o bom ambiente que há entre nós, os assistentes, a “ralé” desta empresa. O meu grupinho foi para casa da Joana e foi lá que “escafiámos” o mais que pudemos e trabalhámos imenso. A apresentação depois até não correu muito mal, mas o que eles queriam de nós era mesmo atrapalhar-nos e ver como reagíamos a questões mais complicadas ou a alguém que apenas falava inglês.

Esta semana era suposto estarmos a ter uma outra formação de contabilidade, mas como foi adiada, mandaram-nos para o escritório. Conclusão: ninguém estava à nossa espera, logo ninguém tem trabalho para nós (por isso é que estou a escrever isto no meio do horário de trabalho. Não fiquem com a ideia que é para isto que me pagam!).

Enfim, esperam-me agora umas longas horas em frente ao pc, por isso, se não tiver nada para fazer, pode ser que actualize o blog com mais frequência e com coisas mais interessantes do que uma descrição da minha vida (sim, porque eu sei que isto não interessa a ninguém, por isso é que não tenho visitantes). Entretanto, vou colorindo isto como posso…