sexta-feira, 31 de julho de 2009

Desabafos

Só há uma pessoa neste momento que conhece o meu verdadeiro "eu". E agora posso dizer que essa pessoa é a única que me conhece e sempre conhecerá melhor ainda do que os meus próprios pais... porque eles não fazem o mínimo esforço para se aproximarem de mim.

A nossa relação está cada vez pior. Parece que para eles eu deixei de ser uma filha e passei a ser alguém incomodativo cá em casa, uma ajudante para os trabalhos pesados e pouco mais. Só se comportam verdadeiramente como pais em frente a outras pessoas.

Eu já nem tenho vontade de estar com eles, nem de estar nesta casa, onde cada canto transmite a presença e poder dos meus pais. Só fora destas paredes, longe destas pessoas, eu consigo ter os meus momentos de felicidade e alegria. Assim que volto tudo se torna negro e medonho de novo.

Já deixei de ser a bebé bonita e engraçada, deixei de ser a criança brincalhona e obediente e deixei de ser a adolescente rebelde mas respeitadora... Agora estou a tornar-me numa adulta com a minha própria vida, liberdade, personalidade e desejo de independência e já ninguém me acha piada, já ninguém quer saber como estou e o que sinto. Tudo o que importa é que mantenha uma cara alegre para que pareça que a minha vida é perfeita.

A verdade é que se não fosse por ti, que me conheces tão bem, que me compreendes e ainda te preocupas em saber como estou, provavelmente, teria cometido uma loucura, uma que talvez não tivesse muita volta atrás...

As cores da vida são, por vezes, negras.

(13/7/07)

Mudanças

Quem lê este título pode pensar que vou falar de mudanças na minha vida. De facto vou, mas talvez não das mudanças que estão a pensar. A verdade é que estou prestes a mudar de casa e é sobre isso que vou escrever.

Já andava há bastante tempo à procura de uma casa nova, uma vivenda, visto que vivo num apartamento. A busca pela casa perfeita entusiasmava-me bastante: o facto de ir ver outros sítios e de cuscar um pouco a vida das pessoas que nos abriam as suas portas, tirar ideias de decoração… Na realidade, depois de encontrar uma casa maravilhosa que nunca chegámos a comprar, perdi um pouco a esperança de me mudar.

Até que um dia os meus pais me telefonam a dizer que já tínhamos uma casa! Tínhamos ido vê-la uma vez e eles não me tinham dito nada sobre isso! Fiquei espantada, mas contente. Afinal, sempre ia mudar-me!

Já passou montes de tempo desde que isto aconteceu e agora faltam cerca de 3 ou 4 semanas para passar a viver definitivamente na minha casa nova. Neste momento estou a encaixotar tudo o que apanho e a levar para o meu novo “ninho”. E foi isso que me fez pensar e ter vontade de escrever.

À medida que vejo o meu apartamento a ficar cada vez mais e mais vazio, uma certa tristeza começa a nascer dentro de mim. Foi aqui, nesta casa, que passei toda a minha vida desde que me conheço. Foram mais de 18 anos a viver entre estas paredes. Esta casa viu-me crescer, protegeu-me, foi minha durante tanto tempo… Só eu e estas paredes sabemos os segredos que guardamos, as coisas que aqui aconteceram. Coisas boas (muitas, muitas, muitas) e coisas más (algumas); riso e choro; festas e dramas que nunca mais têm fim.

Destas janelas eu vejo tudo o que me rodeia (estou num apartamento no 3º andar) e nunca estou sozinha, pois tenho sempre algum vizinho por perto. E na casa nova? Mal consigo ver para o outro lado da estrada e os vizinhos estão distantes alguns metros.

Sei que vou ter muitas saudades de tudo isto, principalmente do meu quarto. Esse sim, sabe cá umas coisas…

No entanto, tento sempre pensar que estou a mudar para melhor. Vou sair dum prédio sem elevador, onde tinha de subir 70 degraus (já contados milhões de vezes) estivesse ou não carregada de pesos, para ir para uma vivenda onde posso entrar sem subir ou descer. Vou sair dum sítio onde mal tenho espaço para ter as minhas coisas, para um onde espaço não é coisa que falte. Vou, finalmente, ter um jardim (o que me vai dar imenso trabalho, mas pronto) e um campo de ténis e um sítio enorme para receber os meus amigos.

Afinal algumas mudanças, que de início não parecem assim tão boas, podem tornar-se em algo bastante positivo. E isto vale para tudo, não só para as mudanças de casa!

E é esta a cor da minha vida.

(6/7/07)

É aqui que tudo começa....

Costuma-se dizer que uma viagem, por mais pequena que seja, começa sempre com um simples passo. Este é, então, o primeiro passo da minha viagem pelo conhecimento de mim mesma.

Há quem tenha um diário, há quem escreva poemas, há quem não faça nada e se deixe viver sem nunca chegar a conhecer-se bem. Eu decidi ter um blog e fazer este conhecimento em público, partilhando-o com todos os meus amigos e com todos os perfeitos desconhecidos que o lerem.

Aqui vou escrever tudo o que me vier à cabeça! Não vai ser um blog sério, cheio de assuntos pesados, polémicos ou extremamente interessantes. Vai, isso sim, ser um espaço onde vou "postar" a minha vida. Será quase como um diário daqueles cheios de florinhas e "Eu gosto dele mas ele não gosta de mim!", só que nada privado e um bocadinho menos infantil.

Aqui vou contar de que cor é a minha vida!
(5/7/07)