Pois é, agora que estou de regresso às aulas (a experiência de trabalho não foi assim tão duradoura como isso), deu-me para redecorar o meu quarto, o que me obrigou a remexer em coisas antigas, há muito guardadas em caixinhas, mais ou menos literais, de recordações. Uma das coisas que descobri foi uma letra que uma pessoa muito querida escreveu para mim algures por volta de 2004.
Essa pessoa foi a Joana, a primeira pessoa que eu conheci quando fui estudar para a ESSA. Como fui obrigada a separar-me de quase todos os meus amigos do básico porque escolhi uma área diferente da deles, no ano em que comecei no 10º estava muito desanimada e odiava a nova escola. A Joaninha, que eu descrevi nessa altura como sendo "uma rapariga fantástica e uma querida", foi a minha salvação e animou os meus dias durante os 3 anos que lá passei.
Esta letra foi adaptada por ela para relatar a minha relação com o meu namorado da altura, que me chamava Belinha (que, para mim, é nome de bolacha, apesar de isto ser algo discutível). É suposto ser cantada com a música Comunhão de Bens, da Ágata (para quem não sabe, aquela do "Podes ficar com as jóias, o carro e casa, mas não fiques com ele!!!"). Coisa bonita para quem tinha 15 ou 16 anos. Cá vai...
Vais-te embora, leva as bolachas e as ceroulas daqui!
Vais-te embora, não digas mais, estrelitas pra ti
Mas não me levas a coisa mais linda
As oreo que um dia te comprei
Pois elas são a minha alegria
E o seu recheio para sempre lamberei
Podes ficar com o carro, o dono e as belinhas
Mas nunca com as oreo!
Tira-me tudo na vida e o mais que consigas
Mas não ficas com elas
Podes dizer que eu não presto
Mas dá-me as migalhas e o resto
E vai plantar couvitas
Sua belinha engomada, fofita e apaixonada
E para sempre belinha, e para sempre belinha.
Enfim, para vocês não tem assim tanta graça, eu sei. Mas cá no fundo tenho esperança que a Joaninha ainda não se tenha esquecido de mim e que saiba onde pode encontrar as minhas divagações. Espero sinceramente que um dia ela leia isto e saiba que guardei esta e outras coisas que ela me escreveu e que continuo a sorrir de cada vez que vejo certas expressões que eram tão dela e que quase só fazem sentido quando ditas por ela.
Agora que já relembrei estas cores um pouco debotadas da minha vida, vou preparar-me para o regresso à vida de estudante, da qual já tenho algumas saudades.