segunda-feira, 21 de março de 2011

Acordo ou desacordo

Este tema é velho, antigo, chato e já cheira mal de tanto que foi discutido. Contudo, como eu não quero que este seja um blog exclusivamente de patetices, decidi dar a minha opinião sobre a maravilha que é o Acordo Ortográfico (AO). Cada vez que leio algo sobre o assunto fico com os nervos em franja, prontinha para matar quem teve a ideia de impor uma coisa destas. Pois, sou contra, muito contra!

Até compreendo que a língua portuguesa precisasse disto para evoluir, ou que Portugal possa beneficiar de uma maior aproximação à língua de outros países, mas algumas alterações parecem-me um bocado abusadas.

Portanto, não podemos escrever Egipto (agora é Egito, porque não se lê o P – eu leio, mas se calhar sou um ser à parte), mas podemos escrever egípcio… hum, parece simples de aprender. É um “fato” (de vestir?) que assim se poupam caracteres nas sms e no twitter, mas, debaixo do meu “teto” (que deve ser o marido da teta, desculpem a viragem para a ordinarice), o AO não entra tão cedo.

Eu, que sempre fui um pouco sensível a erros ortográficos, que me ferem os olhos de cada vez que os vejo, agora quase fico cega quando tento ler um jornal ou uma revista. É que não há condições! Tal como li num comentário a um outro post sobre este assunto, ler algo passou a ser um exercício de interpretação e não um mero prazer. Isto porque me deparo com maravilhas como “espetador” (que é aquilo que serve para espetar, certo? Ah, não? São as pessoas que assistem a “espetáculos”!) e frases como: “agora as pessoas tem” (em vez de têm) e “agarrar o cão pelo pelo”.

Sei que não sou a única a pensar assim, mas também sei que não há muito que possamos fazer para evitar esta mudança. É claro que podemos sempre armarmo-nos em Saramago e dizer que é uma coisa artística, mas a verdade é que daqui a uns tempos quem não escrever segundo o AO vai estar a escrever com erros. E isso será tão mau como aqueles que hoje atropelam a nossa língua (pelo menos aos olhos das criancinhas que hoje estão a aprender a ler e escrever).

O que me vale é que as cores da minha vida não precisam de acertos ortográficos, porque continuam bem escritas…

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